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Uma intuição do Papa Francisco

(02/11/2018)

No domingo anterior ao fechamento das “Portas Santas” do Ano Santo da Misericórdia, houve em Roma o “Jubileu das pessoas socialmente excluídas”. O Papa então dizia: “Neste mundo, quase tudo passa [...]; mas há realidades preciosas que permanecem: o Senhor e o próximo. [...] Estes são os bens maiores, que havemos de amar. [...] Não devemos excluir da vida Deus e os outros. [...] Peçamos a graça de não fechar os olhos perante Deus que nos olha e o próximo que nos interpela”.

“A MISERICÓRDIA E A MÍSERA” (Misericordia et Misera – MM) é o título da Carta Apostólica que o Papa Francisco escreveu para o encerramento do Ano da Misericórdia, no dia 20 de novembro de 2016. Com essas mesmas palavras, Santo Agostinho descreve o encontro de Jesus com a mulher adúltera (Jo 8,1-11): “Ficaram apenas eles dois: a Mísera e a Misericórdia”.

Foi nesta Carta (cf. MM, n. 21) que o Papa Francisco instituiu, na Igreja Católica, o “Dia Mundial dos Pobres”, com as seguintes palavras: “À luz do Jubileu das Pessoas Excluídas Socialmente, celebrado quando já se iam fechando as Portas da Misericórdia em todas as catedrais e santuários do mundo, intuí que, como mais um sinal concreto deste Ano Santo extraordinário, se deve celebrar em toda a Igreja, na ocorrência do XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Dia Mundial dos Pobres. Será a mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, que Se identificou com os mais pequenos e os pobres, e nos há de julgar sobre as obras de misericórdia (cf. Mt 25, 31-46). Será um Dia que vai ajudar as comunidades e cada batizado a refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho, e tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa (cf. Lc 16, 19-21). Além disso, este Dia constituirá uma forma genuína de nova evangelização (cf. Mt 11, 5), procurando renovar o rosto da Igreja na sua perene ação de conversão pastoral para ser testemunha da misericórdia”.

Portanto, no dia 18 deste mês, celebraremos o “Dia Mundial dos Pobres”. Será uma grande oportunidade para se tomarem iniciativas concretas que ajudem a “pousar o olhar sobre os pobres”. Não só, porém. Eles também deverão poder “sentir que estão sendo olhados”. Só o olhar respeitoso e atento de quem venceu a indiferença e descobriu o essencial da vida, será capaz de tanto (cf. MM, n. 21).

Um primeiro passo seria chamar a atenção, para edificação de todos, a respeito de tudo o que já se faz pelos pobres nas comunidades: práticas pessoais, de famílias, entre vizinhos, Pastorais, Caritas, Vicentinos, Instituições Religiosas, Movimentos, Associações, Obras Sociais, coletas, campanhas etc. São obras de Deus que devem ser cantadas como Maria cantou as maravilhas de Deus em sua própria vida. A luz deve ser colocada sobre o candeeiro para que ilumine (cf. Lc 8,16).

Um outro passo importante seria identificar os pobres de acordo com os tipos de pobreza e o lugar onde se encontram, para dar-lhes nome. “Pousar neles o olhar” para que sintam que estão sendo encontrados. E então desencadear processos que levem à superação de todo e qualquer tipo de exclusão.

As Santas Missões Populares serão um tempo oportuno para esse exercício.

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