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É preciso testemunhar a Luz

(01/12/2017)

As tardes eram sempre mais longas na infância. Juntamente com irmãos e primos, passávamos um tempão deitados na varanda ou no gramado olhando para o céu azul. Ali nos divertíamos imaginando formas nos desenhos que as nuvens lá no alto desenhavam. Quantas vezes olhávamos para as árvores lá no alto dos morros e observávamos seus contornos; podíamos jurar ter visto elefantes, girafas... e dinossauros. Nossas tardes eram iluminadas! Há lembranças que a gente não esquece nunca mais! Como é bom aprender!

Certa vez, ao anoitecer, nosso pai nos ensinou, apontando para o morro: “estão vendo aquela luz acesa lá na escuridão da mata? Lá mora um amigo”. Anos mais tarde eu pude compreender o que o pai estava nos ensinando: é que, se porventura, algum de nós se perdesse de casa, deveria buscar socorro caminhando na direção da primeira lâmpada; pois lá, talvez, alguém poderia nos socorrer.

O tempo foi passando e, ainda hoje, deliberadamente, muitas vezes escolhemos andar longe da luz. E nos aventuramos em tantos caminhos e descaminhos que, quase sempre, nos levam ao desânimo, à descrença e a ficarmos com receio da luz.

Como é bom quando, em meio ao desalento, alguém nos aponta um caminho certo, nos estende a mão, se interessa por nós e nos ajuda a voltarmos para a luz. Pois, a luz elimina a escuridão, desfaz o medo, torna tudo visível e nos permite ver o caminho. Jesus ilumina nossos corações e nos revela o caminho para o Pai.

Ele mesmo se apresentou como luz: “Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (João 8,12). E São Paulo ensinou: “Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas” (1Tes 5,5). A missão dos seguidores de Cristo é ser “sal da terra e luz do mundo” (cf Mt 5,13-14).

Neste Advento, nossas cidades e casas e igrejas estão enfeitadas com muitas pequenas lâmpadas. Como são lindas nossas árvores de Natal! Mas, em meio a tanto colorido e ostentação, corre-se o risco de não perceber que a verdadeira luz emana d’Aquele Menino-Deus que nasceu numa noite escura, lá em Belém.  Ofuscados e distraídos com os enfeites do Natal, não contemplamos Jesus-Deus, que, no presépio pobre e despojado, vem trazer o alento para a humanidade.

Os séculos vão passando, o ser humano continua prodigioso em suas invenções e descobertas, mas ainda caminha na escuridão. Como marionete nas mãos das ideologias e filosofias e teologias e teorias mil, o homem hodierno vai caminhando em busca de sentido para sua existência.

Talvez devesse escutar a Deus que, no seu coração, está lhe convidando a buscar a Luz. Pois, “a luz veio ao mundo, mas o mundo preferiu as trevas à Luz” (cf Jo 3,19).

É missão de todo cristão ser portador desta Luz do Natal. E apontar para o Menino do presépio. Somente o encontro com Jesus pode iluminar um coração escurecido e obscurecido pela descrença, pelo fechamento, pela indiferença...

Pelo batismo fomos salvos, para indicarmos o caminho da Salvação; fomos iluminados, para nos tornarmos iluminadores e refletores da Luz do Senhor; fomos chamados pelo nome, para que, através de nós, outros pudessem ouvir a voz d’Aquele que chama; fomos feitos filhos e membros do Corpo Místico, para congregarmos os demais irmãos...

Enfim, é necessário apontarmos para Belém... para o presépio... para o Menino Deus! Como nos ensinava o nosso pai: “lá mora um amigo”, “lá se encontrará abrigo”, “lá a vida estará protegida”, “lá naquela lâmpada acesa da montanha, na escuridão da noite”!

Será que toda casa é casa de acolhida, morada de amigos? O nosso coração é lugar de abrigo e de aconchego? Qual luz emana o nosso coração? Uma parca luz, tímida, artificial e mero enfeite?

Quando se é criança, a fantasia é capaz de nos envolver por horas a fio. Quando a gente cresce, é uma pena que se perca tanto daquela capacidade de sonhar, de imaginar, de transcender! O mundo precisa da Luz!... necessita do Natal!... tem fome de Jesus!

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