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FESTEJANDO OS SANTOS... CELEBRANDO A VIDA

Pe. Auricélio Costa (02/07/2018)

Naquelas tardes de outono-inverno, lá na Passagem, em Tubarão, a gente se divertia muito. Meu tio Marfiso “Margulha” Costa, depois da oração do Pe. Vitor, direto de Aparecida pela Rádio Tubá, pegava a sanfona e... era só festa! A criançada e os jovens se juntavam no terreiro da casa e a gente dançava quadrilha de São João! “Anarriê!”... “Balancê!”...

Estamos vivendo dias de outono-inverno: clima mais fresco e também frio. Roupas mais pesadas. Dias curtos e noites boas de dormir. Comidas quentes e fortes são bem-vindas! Pinhão, amendoim, paçoca, puxa-puxa, pé-de-moleque, beiju, mané-pança, bijagica, cuscuz e pão de fubá... Sem falar na tainha que vai sendo capturada em nossas águas!

Se socialmente (por conta dos folguedos) ou fisicamente (por causa do clima e da culinária típica), este tempo torna-se também propício para as manifestações religiosas. As festas se multiplicam por nossas comunidades. O calendário litúrgico prevê a memória de muitos santos neste período. E isso é muito bom!

Junho foi um mês rico de comemorações! Saudamos São Bonifácio (dia 5), Santo Antônio (dia 13), São João Batista (dia 24) e São Pedro e São Paulo (dia 29)! Mas também a Beata Albertina (dia 15) e São Luiz Gonzaga (dia 21)! Sem falar na devoção ao Sagrado Coração de Jesus (dia 08) e do Imaculado Coração de Maria (dia 09)!

E Julho não é menos favorecido nos festejos religiosos, não! Por serem colunas da Igreja, celebramos a solenidade de Pedro e Paulo no domingo, dia 01. Depois comemoraremos São Tomé (dia 03) e Santa Isabel de Portugal (que inventou a Festa do Divino – dia 04), Santa Paulina (dia 09), Nossa Senhora do Carmo (dia 16), São Tiago Maior (dia 25) e São Joaquim e Santa Ana (avós maternos de Jesus, dia 26).

As festas e solenidades religiosas têm um propósito: ajudar-nos a recordar nossos irmãos na fé que testemunharam seu amor incondicional a Jesus e à Igreja. Por isso, nossas Festas não podem se reduzir a folguedos, danças, procissões, foguetes e enfeites, tampouco em comilanças e brincadeiras. Tudo tem o seu valor, evidentemente. Mas, será que os Santos e Santas não têm mais nada a nos ensinar?

Bem, no Antigo Testamento Deus já havia revelado seu desejo: “Sede santos, porque Eu sou Santo” (Lv 11,44). Ao que Jesus confirmou: “Sede santos como o vosso Pai do Céu é Santo” (Mt 5,48). Já que fomos criados à Sua “imagem e semelhança” (Gn 1,26), trazemos em nosso DNA a semente da santidade!

S. Pedro, por exemplo, exorta os cristãos: “aproximem-se do Senhor, a ‘pedra viva’ rejeitada pelos homens... Vocês também, como ‘pedras vivas’ vão entrando na construção do templo espiritual e formando um sacerdócio santo!... Vocês são uma raça eleita, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido por Deus, para proclamar as obras maravilhosas d’Aquele que chamou vocês das trevas para a luz maravilhosa... agora vocês são o povo de Deus!... e alcançaram misericórdia!” (1Pd 2,4-10).

Jesus nos dá um caminho para a santidade no dia-a-dia, chamada Regra de Ouro: “Tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles” (Mt 7,12).  E nos apresenta o resumo dos Mandamentos: “Amar a Deus sobre todas as coisas... e ao próximo como a si mesmo” (Mt 22,37-40). E tem ainda o caminho das Bem-aventuranças (Mt 5,1ss)!

Os Santos e Santas festejados nestes meses nos convidam a olharmos para Jesus e aprendermos d’Ele o caminho de santidade. Mesmo vivendo na terra, busquemos as “coisas do alto” (Col 3,1) e ajuntemos “riquezas no Céu” (Mt 6,20).

As festanças nos arraiais de nossas comunidades sejam fecundas em promover a fraternidade e cultivar o compromisso pela construção de um mundo mais justo e pacífico.

Naquelas tardes festivas lá na casa do tio Marfiso, sem que a gente soubesse, a gente estava celebrando a vida. E a vida é dom de Deus! Sempre é tempo de louvar a Deus, como bem o fizeram nossos Santos e Santas! “Rasgue a sanfona, seu gaiteiro! É tempo de festejar!”

 

Pe. Auricélio Costa


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