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Um divisor de Águas

Dom João Francisco Salm (10/07/2017)

“Tu és o MESSIAS, o FILHO DO DEUS VIVO”. Em nome do grupo dos discípulos, Pedro deu esta resposta a Jesus que lhes perguntava: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (cfr. Mt 16,15-16). Jesus não poderia contentar-se com o modo convencional com que as pessoas o viam, comparando-o simplesmente a João, a Elias, a Jeremias ou a algum dos profetas. Buscou nos discípulos algo mais. Teve a resposta em Pedro, o porta-voz do grupo.

Cada um de nós cristãos deve revelar aos que estão ao seu redor, a interpretação que faz de Jesus; como o compreende e o que faz dele em sua vida de cada dia. Meu modo de pensar, de agir, de conviver e de me relacionar revela o lugar que Jesus de Nazaré ocupa, ou não, na minha vida. Jesus não se contenta com uma resposta convencional. Por isso, perguntou e continua perguntando a mim e a você: “Quem tu dizes que eu sou?”.

Jesus vibrou diante de Pedro que deu uma resposta nova, inédita, fora de qualquer consenso, com determinação, rompendo com o que estava estabelecido: “Tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo”. Resposta corajosa, que deixa Pedro sozinho, na contramão da sociedade e da cultura daquele tempo. Disse uma enormidade que lhe custará caro.

Também de nós Jesus espera que digamos, destemidos, sem fugir e sem nos acomodar, o que ainda não foi dito por ninguém, o inédito que poderá colocar-nos em risco. Ele quer a nossa resposta; a resposta que só eu posso dar; que só você pode dar.

Pedro faz sua declaração nos caminhos da Galileia, onde ninguém o vê. Paulo diz isso ao mundo, nas cidades gregas importantes, nos grandes areópagos daquele tempo. Eles testemunham a chegada e o encontro com o MESSIAS (em hebraico), o CRISTO (em grego).

Nós somos um POVO MESSIÂNICO. Uma dimensão fundamental da experiência cristã é a esperança messiânica: a certeza de um tempo e de um mundo novo. Todos os judeus sabiam que quando viesse o Messias, haveria uma grande ruptura, um divisor de águas: cairia a Lei, cairiam os poderes, as instituições, o templo, a forma religiosa, a classe sacerdotal; tudo iria mudar radicalmente: o único poder e o único sacerdócio seriam do Messias.

Com o Messias começa um estado de exceção. O cristianismo é uma transgressão porque significa pensar as coisas a partir de Jesus, contra tudo o que está estabelecido como normal; é a nova medida do mundo, força vital e geradora de uma revolução que nunca se viu. Somos dissidentes. Pensar e agir como Jesus é ir contra todas as regras de um mundo que caducou. Com Jesus começa algo novo: “O Reino chegou! Convertei-vos!” (cfr. Mt 4,17).

A fé em Jesus nos põe à parte: não pertencemos a nenhuma ideologia, a nenhum partido, a nenhum clube; o amor radical de Jesus nos faz fermento, luz e sal; somos um espírito de transformação da história.
Quando e onde Jesus de Nazaré é reconhecido como “o Messias, o Filho do Deus Vivo”, dá-se “UM DIVISOR DE ÁGUAS”!

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