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26º Zumbi Afro

(18/11/2018)

A paróquia de Rio Bonito, em Braço do Norte, acolheu o 26º Zumbi Afro, no dia 18 de novembro. Padre Aguiar, natural de Várzea das Canoas, Gravatal, veio de Mato Grosso do Sul, onde trabalha, para presidir a Santa Missa. Fizeram parte do rito a deposição, junto ao altar, de objetos que lembram a história do negro no Brasil, sua tradição e cultura. Houve homenagem a Nossa Senhora Aparecida, a mãe negra e o momento das crianças. Os cantos alegres e ritmados deram vida à celebração. Além da Missa, houve palestras, feijoada como almoço e tarde de apresentações culturais e danças.

O 26º Zumbi Afro foi um rico momento de encontro e confraternização, de reflexão e expressão cultural. Após a Santa Missa, o professor João Vanderlei da Rosa fez um resgate da história do negro no Brasil. Começou dizendo: “não somos descendentes de escravos; somos descendentes de homens e mulheres que foram escravizados”. A escravidão foi uma condição imposta que teve lutas e resistências. E o professor rapidamente mostrou com o Estado brasileiro lidou com a escravidão. Citou várias leis e chamou atenção para algumas leis absurdas, como a Lei do Sexagenário, que sob o pretexto de que estava garantindo liberdade ao escravo que alcançasse a idade de 60 anos estava, na verdade, o governo estava livrando os donos de escravos de obrigações com escravos e escravas que já não eram mais produtivos como mão de obra. Professor Maurício, segundo a falar, citou que a escravidão configurou uma grande diferença de classe no Brasil. E perguntou: “Como está o Brasil 130 anos após a Lei Áurea”? E respondeu: “o Brasil é hoje um dos países mais desiguais do mundo”. E mostrou, com exemplos da realidade, como a desigualdade se perpetua no Brasil. Falou da educação como o caminho mais o negro conquistar os direitos que ainda lhe são negados.

O nome do evento, já na 26ª edição, é uma justa homenagem ao alagoano  Zumbi dos Palmares, principal representante da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Em 1680, com 25 anos de idade, Zumbi torna-se líder do quilombo dos Palmares, comandando a resistência contra as topas do governo. Durante seu “governo” a comunidade cresce e se fortalece, obtendo várias vitórias contra os soldados portugueses. O líder Zumbi mostra grande habilidade no planejamento e organização do quilombo, além de coragem e conhecimentos militares. Aos 40 anos de idade, Zumbi foi degolado em 20 de novembro de 1695. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.

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