• 14º Encontro Estadual das CEBs reúne representantes de SC e reforça compromisso com as juventudes

14º Encontro Estadual das CEBs reúne representantes de SC e reforça compromisso com as juventudes

Tuesday, July 28, 2026 | ASCOM - Diocese de Tubarão

Representantes das dez dioceses e arquidioceses de Santa Catarina participaram, entre os dias 24 e 26 de julho, do 14º Encontro Estadual das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), realizado em Araquari, na Arquidiocese de Joinville. O encontro reuniu participantes de todo o Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e teve como tema “CEBs: caminhando com as juventudes na alegria do Evangelho a serviço do Reino” e como lema “Levanta-te, brilhe, pois chegou a tua luz”, do livro do profeta Isaías.

A programação aconteceu na Escola de Ensino Médio Senador Luiz Henrique da Silveira, no bairro Itinga, no território e com a acolhida da Paróquia São Luiz Gonzaga. Ao longo dos três dias, a presença das juventudes marcou as celebrações, plenárias, apresentações e tendas temáticas, colocando em evidência o desafio de fortalecer a participação dos jovens na vida das comunidades.

A abertura do encontro, realizada na noite de sexta-feira, contou com a apresentação das delegações, momentos de acolhida e uma mística preparada pela Pastoral da Juventude do Regional Sul 4. A grande tenda do encontro recebeu o nome do padre Luiz Facchini, em reconhecimento à sua atuação junto às CEBs, aos círculos bíblicos, aos trabalhadores e às iniciativas de combate à fome.

Participaram da abertura o pároco da Paróquia São Luiz Gonzaga, padre Luciano dos Santos; o coordenador arquidiocesano de Pastoral, padre Edemilson; o coordenador regional das CEBs, padre Dúlcio Araújo; o secretário-executivo do Regional Sul 4 da CNBB, padre Antônio Madeira; o bispo referencial das CEBs, Dom Odelir José Magri; e o arcebispo de Joinville, Dom Francisco Carlos Bach.

Em sua fala, padre Antônio Madeira destacou que a proposta do encontro ultrapassa a ideia de evangelizar os jovens, chamando as comunidades a construírem uma caminhada junto às juventudes.

“Não se trata apenas de evangelizar os jovens. Trata-se de caminhar com eles, fazer com eles. A pedagogia de Jesus nunca foi da distância, mas da proximidade”, afirmou.

Dom Odelir José Magri também ressaltou a importância de que os participantes retornassem às suas comunidades fortalecidos para renovar a atuação das CEBs e dos grupos bíblicos de reflexão.

“Que todos possam voltar revitalizados, com novo ardor, novos métodos e uma nova expressão”, disse.

Uma leitura da realidade a partir da fé

A programação contou ainda com uma análise de conjuntura conduzida pelo assessor Michel Ubirajara Becker, que abordou questões sociais, políticas, econômicas e eclesiais nos cenários mundial, latino-americano, brasileiro e catarinense.

Ao iniciar sua reflexão, Michel apresentou os cristãos como o “povo do caminho” e destacou a necessidade de uma leitura da realidade que esteja integrada à vivência da fé. Também chamou a atenção para o risco de comunidades e grupos reproduzirem, internamente, relações de poder semelhantes àquelas que criticam na sociedade.

“Mais importante do que a leitura dos livros é a leitura da vida”, afirmou, retomando o pensamento de Paulo Freire.

A análise passou por temas como concentração de renda, desigualdade social, precarização do trabalho, crises ambientais, impactos das tecnologias, notícias falsas, polarização e enfraquecimento das instituições democráticas. Michel também refletiu sobre a transformação do adversário político em inimigo, a normalização de discursos violentos e o uso da religião para justificar projetos de poder.

Nesse contexto, ressaltou que a participação política dos cristãos deve estar voltada para a busca do bem comum, a defesa de direitos e a construção de políticas públicas, e não para benefícios particulares de grupos religiosos.

Ao tratar especificamente da realidade das juventudes, o assessor apontou desafios enfrentados por muitos jovens, entre eles conflitos familiares, dependência digital, adoecimento psíquico, pressão acadêmica, dificuldades financeiras, desemprego e uso de drogas. Também observou que parte das juventudes não encontra, nas comunidades, grupos ou propostas eclesiais adequados à sua idade e ao momento de vida que atravessa.

A reflexão terminou com um chamado à esperança ativa e à responsabilidade na construção de uma sociedade mais justa.

“Somos o povo da esperança, não de esperar; da esperança de fazer o mundo melhor”, afirmou Michel.

CEBs chamadas a caminhar com as juventudes

A reflexão sobre o tema central do encontro foi conduzida pelo assessor Luiz Duarte, que estruturou sua exposição a partir de quatro aspectos: CEBs, caminhada com as juventudes, alegria do Evangelho e serviço ao Reino.

Ao apresentar as Comunidades Eclesiais de Base, Luiz destacou sua identidade como comunidades formadas por seguidores e seguidoras de Jesus, sustentadas pela vida comunitária, pela Palavra de Deus, pelo compromisso social, pela esperança e pela opção preferencial pelos pobres.

“A resposta é comunitária. É na comunidade que a gente se alegra junto, mas também chora junto quando precisa chorar. É na comunidade que a gente encontra as respostas”, afirmou.

Ao refletir sobre a presença das juventudes, o assessor chamou a atenção para a necessidade de superar uma compreensão abstrata sobre “o jovem”. Para ele, a evangelização precisa considerar os rostos, os nomes, as histórias, as alegrias e os sofrimentos concretos de cada pessoa.

Durante a atividade, Luiz convidou os adultos a olharem para os jovens presentes e repetirem a frase “Nós estamos com vocês”. Em seguida, propôs que cada participante escrevesse na mão o nome de dois jovens: um que estivesse ligado à comunidade e outro que não participasse da vida eclesial.

“Não existe uma abstração. Existe um rosto concreto, um jovem concreto, um nome concreto e uma vida concreta”, disse.

A reflexão também provocou os participantes a identificar quais juventudes estão presentes nas comunidades e quais ainda permanecem do lado de fora. Para Luiz, não basta abrir as portas das igrejas e comunidades. É necessário sair ao encontro das pessoas e estabelecer relações baseadas na proximidade.

“A gente se aproxima da juventude porque ama a juventude. Não é para ela vir fazer a crisma ou uma leitura na missa. O que vem primeiro não pode ser a regra ou a norma, mas o amor”, afirmou.

O assessor também apontou atitudes que podem dificultar a participação juvenil, como o controle excessivo, o adultocentrismo, o clericalismo e o utilitarismo. Nesse sentido, defendeu que as atividades e ações das comunidades sejam construídas com os jovens, e não apenas preparadas pelos adultos para eles.

Ao abordar o serviço ao Reino, Luiz chamou a atenção para a importância dos gestos cotidianos de solidariedade, como a partilha do alimento e a escuta de um jovem que enfrenta alguma dificuldade.

“Nós precisamos construir o Reino no hoje e no agora. Quando tem um jovem com um problema e a gente escuta esse jovem, a gente está fazendo o Reino acontecer”, afirmou.

Carta Final aponta compromissos para as comunidades

Como fruto das reflexões e dos trabalhos realizados em grupos ao longo do encontro, a Carta Final reafirma que as juventudes precisam ser reconhecidas como sujeitos da evangelização. O documento retoma as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja em Santa Catarina com a Juventude e assume como referências a centralidade da vida, o protagonismo juvenil, a sinodalidade, a formação integral, o discernimento vocacional e a construção da Civilização do Amor.

A carta também reconhece que parte das juventudes ainda permanece distante ou invisibilizada nas comunidades e alerta para o risco de os jovens serem procurados apenas para a realização de tarefas. Como encaminhamento, o documento reforça que as Comunidades Eclesiais de Base devem ser espaços de acolhida, participação e protagonismo para todas as juventudes.

Ao retornar para suas dioceses e comunidades, os participantes levam o compromisso assumido durante os três dias de encontro, fortalecendo uma caminhada que reconhece os jovens como parte ativa da missão evangelizadora da Igreja.

“Ao voltarmos para nossas comunidades, reafirmamos nosso compromisso de caminhar com as juventudes, na alegria do Evangelho, a serviço do Reino”, registra a Carta Final.

Com informações e fotos das Cebs Regional Sul 4

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