O Diaconato Permanente: Chamados a servir com Cristo
Monday, August 10, 2026 | ASCOM - Diocese de Tubarão
No dia 10 de agosto, celebramos a memória de São Lourenço, diácono e mártir da Igreja, modelo e padroeiro dos diáconos. Viveu em Roma no século III. Administrava os bens da Igreja no pontificado do Papa Sisto II. Durante a perseguição do imperador Valeriano, o prefeito de Roma exigiu que Lourenço entregasse os tesouros da Igreja. Ele pediu três dias de prazo e utilizou esse tempo para distribuir todos os recursos aos necessitados. Depois apresentou ao prefeito os pobres, os doentes, os órfãos e as viúvas, afirmando: “Eis os verdadeiros tesouros da Igreja.” Essa resposta custou-lhe o martírio. Segundo a tradição, foi queimado sobre uma grelha, permanecendo sereno até o fim. Seu testemunho tornou-se símbolo do diácono que compreende que o maior patrimônio da Igreja são as pessoas, sobretudo os pobres e os sofredores.
A vocação diaconal nasce no coração da própria Igreja. Desde os primeiros anos da comunidade cristã, os Apóstolos compreenderam que a evangelização e o cuidado com os mais necessitados eram dimensões inseparáveis da missão confiada por Cristo. É justamente nesse contexto que encontramos o relato da instituição dos primeiros diáconos, narrado no capítulo sexto dos Atos dos Apóstolos. O crescimento da Igreja trouxe também novos desafios. As viúvas de origem grega estavam sendo menos assistidas na distribuição diária dos alimentos. Diante dessa situação, os Doze reuniram a comunidade e escolheram sete homens “de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria”, para se dedicarem ao serviço da caridade, enquanto os Apóstolos permaneciam dedicados à oração e ao ministério da Palavra (cf. At 6,1-6).
Toda espiritualidade diaconal encontra sua fonte em Jesus Cristo. O próprio Senhor definiu sua missão com palavras que deveriam ecoar continuamente no coração de todo ministro ordenado: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). O serviço de Cristo não foi apenas um conjunto de boas obras. Foi uma entrega total de sua vida. Ele aproximou-se dos pobres, acolheu os pecadores, consolou os aflitos, curou os enfermos, alimentou os famintos e anunciou o Reino de Deus. Na Última Ceia, Jesus realizou um gesto profundamente significativo: lavou os pés de seus discípulos. Tratava-se de um serviço reservado aos escravos. O Mestre ajoelha-se diante dos seus e lhes oferece uma lição que atravessa os séculos. Depois de lavar-lhes os pés, declarou: “Eu vos dei o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz.” Nessa atitude está toda a essência do diaconato. O ministro ordenado não recebe um grau de honra, mas uma missão de serviço. Sua autoridade nasce da humildade; sua grandeza está na disponibilidade; sua força está na caridade. O Concílio Vaticano II restaurou o diaconato permanente precisamente para recordar à Igreja essa dimensão essencial. O diácono torna visível Cristo Servo no meio do povo de Deus.
A missão diaconal ultrapassa os limites do templo. No ambiente de trabalho, na convivência familiar, nas instituições públicas, nas escolas, nos hospitais e nas obras sociais, ele é chamado a ser sinal da presença misericordiosa de Cristo. O amor é a verdadeira força do diaconato. Sem amor, o serviço torna-se mera atividade administrativa. Com amor, porém, até os gestos mais simples adquirem profundo valor evangelizador. O diácono permanente recorda continuamente que a Igreja existe para servir. Não busca poder, mas proximidade; não procura reconhecimento, mas fidelidade; não deseja ser maior que os outros, mas tornar Cristo mais conhecido e amado.
Que a intercessão de São Lourenço fortaleça todos os nossos diáconos, para que permaneçam fiéis à missão recebida, e que a Bem-aventurada Virgem Maria, Serva exemplar do Senhor, acompanhe cada um deles no caminho do serviço humilde e generoso à Igreja e à humanidade.
Dom Francisco Carlos Bach - Arcebispo de Joinville | Foto: Jaison Alves da Silva

